É como digo! Nem mais. Senão vejamos…
Em Junho, quando pude, finalmente!, dar entrada com os papéis no Centro de (Des)Emprego e passar para a estatística como mais uma desempregada – coitada – perguntei logo o que teria de fazer para criar o meu próprio emprego. O Técnico que me atendeu, muito simpático, torceu o nariz e disse-me, textualmente “Oh menina, não se meta nisso…”. Não se meta nisso? Mas então não há regalias para quem cria o seu próprio emprego? Não é necessário reduzir o desemprego e criar postos de trabalho? Não precisa este país de empreendedores, de empresas que criem riqueza e que contribuam, através dos impostos, para a riqueza do País? Mas isto sou só eu a perguntar…
Não contente com a resposta que me deram no Centro de (Des)Emprego de Matosinhos, recorri ao de Guedes Azevedo, no Porto. Lá tive de tirar a senha e esperar pela minha vez e por fim fui atendida. Quando disse o que me levava lá, a resposta não tendo sido a mesma, foi idêntica à que me tinha sido dada em Matosinhos. Ainda assim, insisti e trouxe para casa um montão de folhas com legislação para ler. Ora o trabalho de casa era ler aquele calhamaço que me tinham dado e voltar na terça-feira seguinte, pois é o único dia para atendimento, com as dúvidas que me surgissem após a leitura das ditas cujas… Estávamos no Verão e numa tarde de praia resolvi “estudar” a papelada. Escusado será dizer que o que lá estava escrito e descrito não é, pura e simplesmente, para o comum dos mortais perceber… Claro que teria de voltar a Guedes Azevedo na terça-feira seguinte pois eu só tinha dúvidas! É que não tinha conseguido perceber nada do que lá estava!
Bom, lá fui eu, com as folhinhas debaixo do braço, lá esperei que me atendessem num corredor daquele Centro de (Des)Emprego miserável (não tem condições, mesmo!). Quando me atenderam e quando eu disse as razões que me tinham levado ali – que queria criar o meu próprio emprego e que o que me tinham dado para “estudar” era de tal forma técnico e difícil de entender que me teriam de explicar, que estava redigido para que não se entedesse e para desmotivar logo, à partida, qualquer tentativa de avanço – disseram-me que o que eu precisava de saber estava ali escrito e que era tudo muito claro! Sim, que eu tenho “Loira burra” escrito na testa… mas que, ainda assim o melhor era nem avançar. Disseram: “Sabe, os processos demoram muito tempo a avaliar, depois nem todos são aceites e nem todos são aprovados, só uma pequena percentagem é aprovada, e destes a maior parte deles fecham ao fim de um ano… por isso, nem deve valer a pena arriscar a ficar vinculada durante quatro anos ao IEFP”. O QUÊ? MAS SERÁ QUE EU ESTOU A OUVIR BEM O QUE ME ESTÃO A DIZER??? Ainda fiz mais uma tentativa: “Desculpe, está a tentar dizer-me que devo ficar em casa durante dois anos a viver de rendimentos à espera de emprego (sim, que na minha área caem do céu aos trambolhões)?” A resposta foi quase um encolher de ombros acompanhada de um “ehmm” que eu compreendi como sendo uma resposta afirmativa. Sim senhor! Ora estamos bem… A crise, a crise… A crise a porra! Porque se me deixassem trabalhar era mais uma a contribuir para sair da Crise. E a crise é a desculpa perfeita para os malandros que se recusam a trabalhar, a arregaçar as mangas e a meter pés ao caminho!
Mas há mais! Lá consegui, mesmo “contra a vontade” do Centro de (Des)Emprego fazer um projecto com a Isabel e o nosso projectinho lá deu entrada no IEFP de Guedes Azevedo em meados de Novembro do ano passado. Agora resta-nos esperar, sabendo que se metem os feriados de Dezembro, as Festas, e depois, com um bocadinho de sorte, lá para meados de Janeiro pegam nos projectos, quando já estiverem outra vez habituados ao ritmo (frenético!) de trabalho que têm.
Mas ainda há mais… Em meados de Janeiro tive uma proposta de trabalho temporário. Seria cerca de um mês, dois no máximo. Resolvi ir ao meu Centro de (Des)Emprego, em Matosinhos, perguntar o que teria de fazer para suspender o Subsídio de Desemprego temporariamente. Aquilo que me disseram foi que não poderia fazê-lo, pelo menos ali não, e uma vez que tinha um projecto entregue, então o melhor seria perguntar no Centro onde o tinha entregue. Ok! Tem a sua lógica. Lá fui eu de Matosinhos para o Porto, lá tirei a senha, lá esperei, lá me chamaram, lá me disseram para falar com outra pessoa, lá fui eu outra vez para a sala de espera até que lá me chamaram novamente. Lá expliquei, pela terceira vez, o que pretendia e entre “acho que não…” e “deixe ver…” e “vou perguntar…” lá me disseram que o melhor era não suspender, até porque depois “dava muita confusão com os montantes a receber”. Mas o melhor ainda era ir à Segurança Social perguntar, pois são eles que pagam… COMO? DESCULPE? É QUE SÓ PODEM ESTAR A BRINCAR COMIGO!!! – “E já agora, sabe como está o meu projecto? – Ainda não pegaram nele. – E posso falar com a pessoa responsável para saber alguma coisa, já que ele até está aí? – Não, não pode ser, o atendimento é à terça-feira…” (estávamos numa quinta…)
AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!
MAS O QUE É ISTO??? Mas o que vem a ser isto??? Será que estes senhores ainda não entenderam que eu QUERO trabalhar? Eles nem têm de fazer nada, até sou eu que me estou a propor e até me surgem oportunidades… é limpinho! É menos um com quem têm de se preocupar! É MAIS UMA PESSOA A CONTRIBUIR PARA OS SALÁRIOS DELES, PORRA! – "Ah, o melhor é nem mexer… dá muita confusão…" CONFUSÃO? Esperem lá, quem ficou confusa com tudo isto fui eu! Então aquilo não é um Centro de Emprego? Não é da competência deles ajudar os desempregados a voltarem ao activo? Não me obrigam eles a procurar emprego e a prová-lo e ainda por cima me “prenderem” a um sistema de controlo mais tipo “termo de identidade e residência” do que qualquer outra coisa??? Mas afinal, do que é que estamos a falar? Não estamos aqui a falar da mesma coisa? Não estamos todos a remar para o mesmo lado? Então por que raio não me deixam trabalhar?
Percebi com tudo isto que me tenho dirigido a Centros de Desemprego, onde se esforçam muito a fazer nada pelos que querem MESMO trabalhar e descobri que afinal, a vida está boa é para quem não trabalha NEM O QUER FAZER!!! É bom viver de subsídios, de rendimentos mínimos… O quê, trabalhar? Para quê? O Estado até paga para poderem estar em casa a cuidar de um rancho de filharada (mais rendimentos a entrar…) e até se podem dar ao luxo de ir lanchar ao café todos os dias… Querem melhor que isto? Pff! A vida está boa é para os Malandros!
Assim sendo, não me venham falar de crise no País quando não me deixam criar riqueza para os cofres do Estado; não me venham falar dos “coitadinhos” dos milhares de desempregados quando desses milhares alguns estão na mesma situação e no mesmo desespero que eu; e não me venham falar em aumentos desta Função Pública, ai isso é que não! É que quem lhes paga o ordenado também sou eu e se eu não ganho para mim, também não ganho para pagar o salário deles!
Malandros (ou não) recuso-me a ficar de braços cruzados! Já o disse uma vez “para Malandra basto eu…” e infelizmente só me tenho deparado com Malandros ainda mais Malandros que o maior dos Malandros! É muita malandragem junta, pá! Ou não…?
4 comentários:
Aos que não querem ser malandros é dito: "Sê malandro como os outros enquanto dura a mama!"
É rídiculo e desanimador!
A minha esposa teve uma situação parecida quando com umas amigas tentou começar uma IPSS...no fundo em vez de haver incentido a quem quer trabalhar somente lhes foram apresentados obstáculos atrás de obstaculos até que no final desistiram dessa ideia e partiram para outra...
Ora bem, aqui a malandra passa o mesmo. Ao continuo da passagem de leitura verifico que afinal o que eu contava lá em casa e amigos não vinha só da minha cabeça.Sim, isto acontece. E sem duvida que me revolta quando estou dobrada na mesma gaveta com seres que acham esse tipo de vida é a melhor coisa que lhes poderia acontecer!Revolta? Muita...Mas acho que estamos cá para marcar diferença, nem que seja as 3ªfeiras passarmos a ser a: Lá vem aquela gaja/o perguntar sobre coisas direitos que nem nos sabemos bem o que são! Sim. É uma luta.
Olá cara colega, ainda não percebes-te que temos de dar trabalho ao pessoal da estatistica?! E também quem vive à custa das noticias de jornais e noticiários na TV. No outro dia pensei meter os papeis para a reforma, uma vez que me dirigi ao Centro de Desespero de Matosinhos(IEFP), sim porque é um desespero para qualquer comum dos mortais passar lá uma tarde inteira à espera da vez para ser atendida, e quando finalmente chega a nossa vez, ouvimos pela boca do Técnico de Emprego dizer que com 33 anos somos velhos para trabalhar ... Ou seja, na oferta de emprego estavam a pedir pessoas só até aos 25 anos, e que a empresa era muito rigorosa, e depois se o Tecnico encaminha-se pessoas com mais de 25 anos, quem levava na cabeça era ele???!!!!A que eu respondi que era anti-constitucional o que me estava a fazer, e que eles deviam era estarem preocupados com aquelas pessoas que vivem de subsidios e nada fazem para sair da "trampa", e que só põem os pézinhos nos Centro de Desespero, quando lá são chamados para fazerem apresentação periódica. Quanto à criação do próprio emprego também já me ocorreu essa ideia, mas claro os obstáculos são tão poucos que a pessoa até se sente desmotivada com tanta facilidade que nos é dada. Para começar tem dias marcados, e depois só podem assistir à dita sessão de esclarecimento as primeiras 20 pessoas a chegarem ao Centro de Desespero pelas 9h da matina... Digo-te quando lá cheguei ainda não eram 9h e já estava uma fila tipo para a venda dos bilhetes dos U2... É claro que a primeira ideia que me ocorreu foi da próxima vez venho dormir para a porta do Centro de Desepero. Mas mesmo assim tirei uma senha para o atendimento geral e não saí de lá sem uma resposta, a saber para quem está desempregado e não recebe subsidio que é o meu caso, neste momento o governo fechou o apoio a pessoas que estejam na minha situação, a única hipótese é recorrer à banca... através do microcrédito ou investmais. Estou desempregada e desesperada, pois já estou vai para 2 anos sem fazer a ponto de um "corno" (desculpa a linguagem, pensando melhor neste momento até trabalho, sou técnica superior de descobrimentos... acredita tenho feito muitas descobertas, situações realmente hilariantes. E a maior descoberta que fiz foi que realmente o que está a dar é viver um dia de cada vez sem stresses; pois a vida está boa como a colega disse para os bons malandros... Beijinhos
n fazia ideia q era assim tão dificil criar o proprio posto de emprego.... é uma ideia q me tem passado bastantes vezes pela cabeça, mas o teu relato desmoraliza qualquer um!!
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