sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Malandros a Metro

Caríssimos Malandros, antes de iniciar esta crónica gostaria de vos alertar que, para além de toda a ironia e sarcasmo que possa utilizar na forma como escrevo, este assunto é de real importância. Quem sabe se, dito de uma forma mais jocosa, não se evitem mais confusões e quem sabe também se isto não chega onde deverá chegar, por forma a que se esclareçam, de vez, todas as dúvidas. Posto isto, entremos no Metro do Porto para mais uma viagem pelo mundo da Malandragem…

Sou utente assídua do Metro do Porto, sou daquelas pessoas que tem passe e anda de Metro e de Autocarro e tudo! Tenho visto já há algum tempo que nas Estações do Metro, nalgumas delas, têm andado fiscais a controlar à saída do Metro quem tem título de transporte válido. Isso nunca foi um problema para mim pois desde sempre cumpri com o que era pedido – ter atenção às zonas e à validação, pelo menos. Portanto, sempre que via os fiscais eu ficava descansada, a mim não poderiam fazer nada, eu estava “legal”. Reparei, com alguma incredulidade (mas compreensão também, infelizmente) que na época do Natal, principalmente na Estação das Sete Bicas, que serve o NorteShopping, os fiscais eram às dezenas, a controlar quem saía e sim, vi alguns (muitos) utilizadores, na maior parte deles adolescentes e jovens, a terem problemas… mas era de prever…

Aqui há duas semanas, mais ou menos, contaram-me a história mais caricata alguma vez passada no Metro, infelizmente com uma pessoa da minha família e esta semana presenciei à mesma situação. Com a minha prima, o que aconteceu foi que uma amiga dela resolveu ir esperá-la ao cais, quando ela chegasse de Metro à Estação do Bolhão. Essa amiga dela, que veio de Paços de Ferreira de camioneta, fez horas no Plaza e resolveu meter-se no elevador e descer para a esperar. Subiram as duas pelas escadas rolantes e à saída quem estava? Os fiscais, pois claro! A minha prima apresentou o passe dela e a amiga, que só tinha ido ter com ela ao cais, por não ter título de transporte, foi multada em 90€! Mais, não só foi multada como os senhores fiscais resolveram parodiar com o nome dela, pouco comum, com o facto de ela ter vindo de Paços de Ferreira pois essa equipa jogava naquele dia no Dragão com o Porto e, enquanto ela explicava que tinha vindo de onde viera, que tinha ido comprar umas bolachas e esteve a fazer horas para ir ter com a amiga, os fiscais ainda perguntaram se ela não teria uma bolachinha para eles, que estavam cheios de fome… E lá veio a miúda com uma multa de 90€ para pagar por ter ido esperar a amiga ao Cais…

No início desta semana tive necessidade de entrar na Estação do Campo 24 de Agosto. Lá estava um batalhão de fiscais a controlar quem saía quando reparámos, depois de termos validado os nossos títulos, que se estava a passar atrás de nós exactamente o mesmo que tinha acontecido à minha prima e à amiga. Um rapaz desceu até ao cais para ir ter com uma pessoa e à saída lá o “apanharam”. Quando reparámos no que se estava a passar, e porque o meu primo tinha visto o rapaz no café a fazer horas, como ele, abeirámo-nos dos fiscais para lhes dizer isso, mas a situação pareceu “controlada”, o casal lá foi embora sem multa nenhuma. Talvez porque algum dos fiscais tivesse identificado o rapaz, o tivesse visto a entrar e a sair pouco depois acompanhado e tenha ido em defesa dele junto daquele batalhão de gentinha.

Conversa puxa conversa e a minha tia acabou por dizer que se tinha passado uma situação idêntica com a filha e que não compreendia o porquê da multa passada. Quando as coisas começaram a “aquecer” um bocadinho eu disse que não havia, em parte nenhuma, nada que dissesse que não era permitida a entrada e permanência na gare ou cais de embarque. E disse uma “senhora que tinha uma gravata com logótipos do Metro”, apontando para o chão onde está um aviso que é obrigatório validar o andante que a informação estava ali e que era obrigatório!

Um outro “senhor de gravata com logótipo do Metro” disse com o seu ar importante, com as mãos atrás das costas a segurar o precioso bloco onde escrevem as “cartas de amor” deles, que estava no Artigo 28 e que era só ler. A “senhora de gravata com logótipos do Metro” disse, apoiada numa das máquinas de validação e apontando para a máquina de compra de títulos, que “era só uma questão de perder cinco minutos e ler o que lá dizia”. E era obrigatório ter um título validado a partir daquela linha de máquinas de validação. Ah, também disse o outro “senhor” que embora as Estações fossem abertas era obrigatório validar e que tinham evitado aqui no Porto a utilização de torniquetes “para evitar o congestionamento”. A Isabel passou-se! “Não colocar torniquetes para evitar o congestionamento? Desculpe lá, mas se houvesse as pessoas sabiam como as coisas funcionavam… e em Lisboa há torniquetes, as pessoas aprenderam a viver com eles!”. Pergunto eu, que conheço algumas estações de Metro de Lisboa – Congestionamento? A Estação do Cais do Sodré tem mais gente que pessoas e tem torniquetes! E o Metro de Londres (como se o pudéssemos comparar com o nosso Metrinho)? Bem, começaram-me a subir os calores e eu fui dizendo para irmos embora, porque já me estava a zangar… Começamos a descer o segundo lanço de escadas rolantes que dão acesso ao cais quando vejo a surgir, no horizonte, lá em baixo… uma máquina de validação. Outra. Esperem lá… uma máquina de validação? Mas então a “senhora” não tinha dito que a partir daquela linha de máquinas era obrigatório ter um título validado? Então o que estava aquela caixinha amarela a fazer ali? Hmm… estranho… tive vontade de voltar atrás para perguntar mas já estava demasiado irritada e já só pensávamos no Artigo 28.

Em duas estações onde estivemos depois deste acontecimento, procurámos o Artigo 28. Havia dois painéis informativos com códigos de utilização. Um tinha 15 artigos, o outro 17. E o 28? Nós queremos é o 28! Mas não o vemos em parte alguma! Procuramos na Internet, na página do Metro do Porto e nada; a minha prima (a quem entretanto tínhamos ligado e contado o que se tinha passado…) perguntou na Estação do Campo 24 de Agosto à “senhora” que precisava de ver o Artigo 28, onde o poderia encontar? e ela apontou para os painéis e mandou-a ler… Ora portanto, Artigo 28 nada!

Ainda nesse dia, no noticiário da tarde, deu uma reportagem sobre as multas no Metro. São tantos os infelizes apanhados… mas no meio da peça, veio um senhor responsável pelo Metro do Porto lembrar que é obrigatório ter um “título válido para o embarque”. A-HA! Apanhado! Com que então um título para embarque? Fui ver ao dicionário e embarque também quer dizer lugar onde se embarca, ou seja, cais. Bolas! Já não dá para pegar por aí, uma vez que a língua portuguesa tem destas coisas, tem muitos significados e nós às vezes só conhecemos um deles…

Mas como “quem tem boca vai a Roma” e “quem tem amigos não morre na cadeia” lá conseguimos descobrir o Artigo 28. É verdade, ele existe!!! Foi publicado no Diário da República de 4 de Julho de 2006!!! Então não sabiam, seus malandros ignorantes…? Pois claro! E o Diário da República é de leitura diária obrigatória! Por favor, uma Lei aprovada em 2006 e ninguém tinha conhecimento!? Quer dizer, isto só faz de todos nós uns ignorantes que nem merecem andar num transporte sobre o qual não conhecem toda a legislação…

Por isso, se quiserem utilizar Estações como a de S. Bento ou a do Campo 24 de Agosto para atravessarem de um lado para o outro da rua para escapar ao trânsito, semáforos e passadeiras e até a chuva, o frio, o vento, o sol, o calor…, se quiserem descer para tomar um cafezinho, aproveitar que ali está menos gente e é mais rápido, ir num instante levantar dinheiro à Caixa Multibanco (que a Estação do Campo 24 de Agosto tem) ou levar a avó ou o neto ao Metro, não se esqueçam de validar! É que é obrigatório! E não interessa se vão utilizar o Metro ou não, isso não interessa nada! O que interessa é que o melhor é tirar o passe ou comprar umas viagens e validar. Sempre! Não vá os “senhores de gravatas com logótipos do Metro” andarem por lá… Não se esqueçam: passagens, cafés, levantar dinheiro e outras coisas que tais, só para quem título válido. Se for para levar a avó ou o neto, é melhor deixá-lo pela Estação à solta e eles que procurem e encontrem o caminho deles, homessa!

Até no Metro… entristece-me ver que as coisas não andam porque as pessoas não querem que elas andem… Se é obrigatório validar, os fiscais deveriam chamar as pessoas à atenção para isso, mas fazê-lo à entrada e não à saída, como fazem. É claro que isto só pode ser encarado como “caça à multa” porque o dever de informar os utentes passa-lhes ao lado. Ninguém sabe desta Lei, deste Artigo 28. Que lhes custa esclarecer as pessoas? Que custa à Metro do Porto informar as pessoas destas situações? Custa muito menos dinheiro do que aquele que eles conseguem angariar em multas, a 90€ cada uma…

Que tristeza… que país de mentalidade pequenina e tacanha este em que vivemos. Que gente miudinha e prepotente põem à frente das máquinas de validação a fazer o papel do mau e do “eu sou muito melhor e muito mais poderoso do que tu!” Que pena eu tive de não ter voltado atrás e de não ter perguntado onde estava o Artigo 28 e o que dizia e o que fazia a máquina de validação fora da “linha” de entrada. Sempre gostaria de ver como se desenrascavam com as repostas…

Se quiserem ser menos Malandros, eu tenho a legislação. Posso enviar… pelo menos já ficam a saber mais alguma coisinha, como eu…

Malandros que andais de Metro, de autocarro, de carro, de bicicleta, a pé, de trotineta ou de carrinho de rolamentos tenham atenção aos obstáculos. É que às vezes, por desconhecermos, zelar pelos nossos interesses ou pelos dos outros, pode ficar-nos caro. Pelo menos 90€

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A vida está boa para os Malandros!

É como digo! Nem mais. Senão vejamos…

Em Junho, quando pude, finalmente!, dar entrada com os papéis no Centro de (Des)Emprego e passar para a estatística como mais uma desempregada – coitada – perguntei logo o que teria de fazer para criar o meu próprio emprego. O Técnico que me atendeu, muito simpático, torceu o nariz e disse-me, textualmente “Oh menina, não se meta nisso…”. Não se meta nisso? Mas então não há regalias para quem cria o seu próprio emprego? Não é necessário reduzir o desemprego e criar postos de trabalho? Não precisa este país de empreendedores, de empresas que criem riqueza e que contribuam, através dos impostos, para a riqueza do País? Mas isto sou só eu a perguntar…

Não contente com a resposta que me deram no Centro de (Des)Emprego de Matosinhos, recorri ao de Guedes Azevedo, no Porto. Lá tive de tirar a senha e esperar pela minha vez e por fim fui atendida. Quando disse o que me levava lá, a resposta não tendo sido a mesma, foi idêntica à que me tinha sido dada em Matosinhos. Ainda assim, insisti e trouxe para casa um montão de folhas com legislação para ler. Ora o trabalho de casa era ler aquele calhamaço que me tinham dado e voltar na terça-feira seguinte, pois é o único dia para atendimento, com as dúvidas que me surgissem após a leitura das ditas cujas… Estávamos no Verão e numa tarde de praia resolvi “estudar” a papelada. Escusado será dizer que o que lá estava escrito e descrito não é, pura e simplesmente, para o comum dos mortais perceber… Claro que teria de voltar a Guedes Azevedo na terça-feira seguinte pois eu só tinha dúvidas! É que não tinha conseguido perceber nada do que lá estava!

Bom, lá fui eu, com as folhinhas debaixo do braço, lá esperei que me atendessem num corredor daquele Centro de (Des)Emprego miserável (não tem condições, mesmo!). Quando me atenderam e quando eu disse as razões que me tinham levado ali – que queria criar o meu próprio emprego e que o que me tinham dado para “estudar” era de tal forma técnico e difícil de entender que me teriam de explicar, que estava redigido para que não se entedesse e para desmotivar logo, à partida, qualquer tentativa de avanço – disseram-me que o que eu precisava de saber estava ali escrito e que era tudo muito claro! Sim, que eu tenho “Loira burra” escrito na testa… mas que, ainda assim o melhor era nem avançar. Disseram: “Sabe, os processos demoram muito tempo a avaliar, depois nem todos são aceites e nem todos são aprovados, só uma pequena percentagem é aprovada, e destes a maior parte deles fecham ao fim de um ano… por isso, nem deve valer a pena arriscar a ficar vinculada durante quatro anos ao IEFP”. O QUÊ? MAS SERÁ QUE EU ESTOU A OUVIR BEM O QUE ME ESTÃO A DIZER??? Ainda fiz mais uma tentativa: “Desculpe, está a tentar dizer-me que devo ficar em casa durante dois anos a viver de rendimentos à espera de emprego (sim, que na minha área caem do céu aos trambolhões)?” A resposta foi quase um encolher de ombros acompanhada de um “ehmm” que eu compreendi como sendo uma resposta afirmativa. Sim senhor! Ora estamos bem… A crise, a crise… A crise a porra! Porque se me deixassem trabalhar era mais uma a contribuir para sair da Crise. E a crise é a desculpa perfeita para os malandros que se recusam a trabalhar, a arregaçar as mangas e a meter pés ao caminho!

Mas há mais! Lá consegui, mesmo “contra a vontade” do Centro de (Des)Emprego fazer um projecto com a Isabel e o nosso projectinho lá deu entrada no IEFP de Guedes Azevedo em meados de Novembro do ano passado. Agora resta-nos esperar, sabendo que se metem os feriados de Dezembro, as Festas, e depois, com um bocadinho de sorte, lá para meados de Janeiro pegam nos projectos, quando já estiverem outra vez habituados ao ritmo (frenético!) de trabalho que têm.

Mas ainda há mais… Em meados de Janeiro tive uma proposta de trabalho temporário. Seria cerca de um mês, dois no máximo. Resolvi ir ao meu Centro de (Des)Emprego, em Matosinhos, perguntar o que teria de fazer para suspender o Subsídio de Desemprego temporariamente. Aquilo que me disseram foi que não poderia fazê-lo, pelo menos ali não, e uma vez que tinha um projecto entregue, então o melhor seria perguntar no Centro onde o tinha entregue. Ok! Tem a sua lógica. Lá fui eu de Matosinhos para o Porto, lá tirei a senha, lá esperei, lá me chamaram, lá me disseram para falar com outra pessoa, lá fui eu outra vez para a sala de espera até que lá me chamaram novamente. Lá expliquei, pela terceira vez, o que pretendia e entre “acho que não…” e “deixe ver…” e “vou perguntar…” lá me disseram que o melhor era não suspender, até porque depois “dava muita confusão com os montantes a receber”. Mas o melhor ainda era ir à Segurança Social perguntar, pois são eles que pagam… COMO? DESCULPE? É QUE SÓ PODEM ESTAR A BRINCAR COMIGO!!! – “E já agora, sabe como está o meu projecto? – Ainda não pegaram nele. – E posso falar com a pessoa responsável para saber alguma coisa, já que ele até está aí? – Não, não pode ser, o atendimento é à terça-feira…” (estávamos numa quinta…)

AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!

MAS O QUE É ISTO??? Mas o que vem a ser isto??? Será que estes senhores ainda não entenderam que eu QUERO trabalhar? Eles nem têm de fazer nada, até sou eu que me estou a propor e até me surgem oportunidades… é limpinho! É menos um com quem têm de se preocupar! É MAIS UMA PESSOA A CONTRIBUIR PARA OS SALÁRIOS DELES, PORRA! – "Ah, o melhor é nem mexer… dá muita confusão…" CONFUSÃO? Esperem lá, quem ficou confusa com tudo isto fui eu! Então aquilo não é um Centro de Emprego? Não é da competência deles ajudar os desempregados a voltarem ao activo? Não me obrigam eles a procurar emprego e a prová-lo e ainda por cima me “prenderem” a um sistema de controlo mais tipo “termo de identidade e residência” do que qualquer outra coisa??? Mas afinal, do que é que estamos a falar? Não estamos aqui a falar da mesma coisa? Não estamos todos a remar para o mesmo lado? Então por que raio não me deixam trabalhar?

Percebi com tudo isto que me tenho dirigido a Centros de Desemprego, onde se esforçam muito a fazer nada pelos que querem MESMO trabalhar e descobri que afinal, a vida está boa é para quem não trabalha NEM O QUER FAZER!!! É bom viver de subsídios, de rendimentos mínimos… O quê, trabalhar? Para quê? O Estado até paga para poderem estar em casa a cuidar de um rancho de filharada (mais rendimentos a entrar…) e até se podem dar ao luxo de ir lanchar ao café todos os dias… Querem melhor que isto? Pff! A vida está boa é para os Malandros!

Assim sendo, não me venham falar de crise no País quando não me deixam criar riqueza para os cofres do Estado; não me venham falar dos “coitadinhos” dos milhares de desempregados quando desses milhares alguns estão na mesma situação e no mesmo desespero que eu; e não me venham falar em aumentos desta Função Pública, ai isso é que não! É que quem lhes paga o ordenado também sou eu e se eu não ganho para mim, também não ganho para pagar o salário deles!

Malandros (ou não) recuso-me a ficar de braços cruzados! Já o disse uma vez “para Malandra basto eu…” e infelizmente só me tenho deparado com Malandros ainda mais Malandros que o maior dos Malandros! É muita malandragem junta, pá! Ou não…?