Singuin Gai Ai...
E aí vamos nós! Tivemos de trabalhar durante quase um ano para preparar esta ida e eis que finalmente chega o dia. Já sabemos, pelo que ouvimos dizer, que os Acampamento Nacionais são experiências únicas e que marcam MUITO: ou MUITO mal ou MUITO bem. Quanto a nós, espero que marquem pela positiva, sinceramente. Nunca estive num Nacional, e embora tenha sido coordenadora de parte de um Acampamento Regional, por motivos profissionais tive de "passar a pasta" e com isso, toda a experiência e a oportunidade única de ser Chefe de Campo da 1ª Secção. Mas enfim, são opções que, embora custem, têm de ser feitas...
Voltando ao Nacional. Esperava-nos o calor, isso sabíamos, e não sabíamos que mais nos esperava. Vamos indo e vamos vendo...
Dia 1 (31 Jul, 3ª feira) - a chegada
Depois de descarregarmos todo o nosso material e o da 1ª Secção, fomos fazer o "Check In". Digamos que nestas andanças perdemos a tarde toda, a stressar com aspectos burocráticos (sim! burocracias para lá da minha competência!) e depois ir a correr tentar montar a tenda no espaço exíguo que nos deixaram. Para além do espaço ser à justa para a nossa tenda, o chão era duro como cornadura! o que quer dizer que ao fim de muito tempo, muito suor, muita marteladela e o apoio dos vizinhos de Guimarães, que nos cederam uns pregos de aço, lá conseguimos montar a tenda... não muito bem, mas teria de servir! O jantar foi Guimarães que o preparou a contar connosco e isso foi, sem dúvida, o primeiro sinal que as coisas até poderiam correr bem. O facto de nos sentirmos apoiados pelos outros, pessoas que nunca vimos e que não conhecemos... mas sim, este é também o Espírito Escutista.
Dia 2 (1 Ago, 4ª feira) - a Renovação da promessa e o Hike
Alvorada às 6h da manhã. Às 8h teríamos de estar todos, os 10 000 escuteiros presentes em Idanha-a-Nova, mas mesmo todos, devidamente uniformizados, na Arena Central do Campo para, em conjunto com os Escuteiros de todo o Mundo, à mesma hora, fazermos a Renovação da nossa Promessa. A Cerimónia, propriamente dita, foram 2 minutos, o atraso foi de 20 minutos... mas a emoção é sempre muita. Não larguei o meu lenço branco durante o Acampamento. Pesa, não só com o lixo e com as recordações, mas com a responsabilidade e o compromisso! 
Depois disto, às 10h, saímos para um Hike de 2 dias. A distância era pequena, 7 km, mas o calor dificulta sempre a caminhada. O calor, a sede, as pernas pesadas e mal habituadas, as bolhas, a preguiça... enfim, havia de tudo. Não estava a correr mal, os momentos foram (mais ou menos) cumpridos e por fim lá chegamos ao nosso destino, Santuário da Sra do Loreto em Alcafozes, ao final da tarde. Até aqui, tudo bem, muito bem...
A partir daqui, tudo mal, muito mal... É! o jantar tardou em chegar. Tardou e muito! Os malandros da Alimentação e da Logística falharam nalguns, pequeníssimos, pormenores... como por exemplo, transportar alimentos confeccionados, sob a canícula de Idanha em carrinhas normais, nem frigorícas nem refrigeradas??? O que é que poderia acontecer?, devem ter perguntado aqueles senhores. Aconteceu o que acontece em nossa casa... a comida freve e estraga-se! ó inteligentes! Adiante... Fomos esperando e a paciência foi-se esgotando à medida que as horas passavam. O jantar chegou, finalmente, quase à meia noite, para ser ainda confeccionado. Pensam em tudo aqueles senhores! De salientar ainda que o almoço volante que nos deram foi uma sandes, um sumo e uma peça de fruta. Se levaste alguns mantimentos contigo, safaste-te; se não levaste, pois azar! Ah, e as sandes tinham maionese. Alimentação óptima, portanto, para quem vai caminhar debaixo de 40º C, mesmo a temperatura indicada para a conservação das sandes. Pronto, depois da exaltação veio o sossego. As coisas até ficaram mais ou menos sanadas, lá foram os Chefes de Campo pedir desculpa pelos outros, e lá foi o Assistente de Campo dar-nos as boas noites, não sem antes nos ter feito esperar uma boa meia hora (enfim, coisa que não tivéssemos habituados a fazer...)
Dia 3 (2 Ago, 5ª feira) - o regresso do Hike
Acordámos uma hora depois do habitual, já com o pequeno almoço entregue para tomarmos mal acordássemos. Não teríamos de esperar pelo pequeno almoço! Que bem! Estes gajos são uns amores… malandros! mas uns amores... Antes ainda do pequeno almoço tivemos uma situação desagradável. Havia coisas remexidas de duas Caminheiras e tinham desaparecido documentos também. Todos os papéis que nos tinham dado para as reflexões durante o caminho também tinham "voado". Alguém que não gostou muito da nossa presença por lá... Depois deste incidente, que só veio espicaçar novamente os ânimos, as coisas voltaram a serenar quando nos propuseram o Serviço. É claro que com uma sachola nas mãos, os ânimos acalmam, podes sempre vingar-te na sachola ou no mato que estás a limpar... correu bem, o Serviço. Depois o regresso.

Ai o regresso... bolas que há gente lenta! a parar em todas as sombras do caminho... bolas! Lá conseguimos chegar à Sra do Almortão mesmo a tempo de uma cerimónia que não vimos porque ALGUÉM NÃO NOS DISSE O QUE SE IRIA PASSAR!!! Pois é, depois do Hike, perdeu-se o significado todo da coisa porque o nosso queridíssimo Chefe de Tribo não nos disse o que iria acontecer quando chegássemos e preferiu ir refrescar-se para o bar. Nada contra! Eu também fui. Mas se nos tivesse dito alguma coisa, não tinha ficado! Adiante... Regressamos ao Campo ao som dos cânticos propositadamente feitos para o momento: "É uma vergonha, la la la la la..." e o sucesso de vendas:
"Nós temos fome, nós temos fome
Nós temos fome, queremos comer
E se o almoço é uma sande
Como é que queres que eu ande!"
LINDO! Um sucessão!
Dia 4 (3 Ago, 6ª feira) – Dádiva de Sangue
Acordámos cedo, como sempre e depois do pequeno almoço começamo-nos a dividir por grupos. Hoje, quem quisesse (e ainda bem que foi assim, que eu não iria nem que me pagassem! Desculpem, mas isso, não…) poderia ir até Idanha-a-Nova dar sangue. O Pavilhão Desportivo de Idanha transformou-se num grande centro de recolha de sangue. Eu aproveitei a boleia para ir ver se conseguia comprar uns óculos, que os meus partiram logo no primeiro dia de Acampamento. É claro que não arranjei nada. Mesmo a funcionária da única Óptica existente em Idanha-a-Nova me disse, quando viu os meus óculos partidos ao meio “Ó menina, estamos em Idanha…” que foi o mesmo que dizer “Olha lá, ainda não reparaste que estás no fim do mundo e que aqui não há nada???” Fiquei esclarecida! Regressei ao Campo. Os que não tinham ido dar sangue, estariam distribuídos em ateliers vários e de temas (muito…) interessantes. Obrigatório mesmo era a passagem pela Capela e que se cumprisse algum Serviço lá. Depois a escolha era variada: Bombeiros, Ordem de Malta, Orientação, AMI – que viemos depois a saber que afinal era AI (Amnistia Internacional) e outros que não me recordo. Neste vai e vem passou a manhã. Depois do almoço, o calor apertava e, ao que parece, a malandragem foi geral. A participação nos ateliers foi muito baixa, já que os Caminheiros preferiram ficar nas suas Tribos à sombra ou então, uma actividade muito escutista, sem dúvida!, a emborcar litradas de cerveja no Bar do campo da IV ou no dos Serviços Gerais. Este foi o dia com as actividades MAIS ESCUTISTAS de todo o Acampamento, ai foi, foi…
À noite, momento de reflexão Taizé. Eu não assisti… sem óculos e sem luz era muito complicado para mim acompanhar fosse o que fosse. As imagens projectadas dos vídeo-walls mal conseguia ver, não conseguia distinguir até quem me dizia “boa noite” junto à Arena Central… regressei à tenda. Mas sei que, para além de outras coisas, transportaram as pedras que nos tinham dado durante o hike com as nossas mensagens para um mural. Tudo cheio de muito significado.Dia 5 (4 Ago, sábado) – O dia do “castigo” e da Blogosfeira
Vamos por partes.
Para começar, hoje tivemos a melhor alvorada. Ao contrário do que era costume, e em vez de acordarmos ao som de tachos e tampas a bater, ao barulho ensurdecedor que faziam nas alvoradas e que nos faz acordar logo com boa disposição… não, hoje fomos acordados ao som magnífico dos adufes. As Adufeuiras de Idanha fizeram o favor de nos acordar ao som da “Senhora do Almortão” e outras músicas. Foi o dia em que os adufes que tínhamos preparado saíram, finalmente, das tendas e tiveram alguma utilidade. Não posso deixar de mostrar o meu entusiasmo, confesso que sou um fã deste tipo de manifestações culturais, típicas da região e confesso que já tinha visto actuações de Adufeiras, mas naquele contexto tudo fica diferente. Por isso, hoje o acordar até foi bem disposto. Depois disto…

O dia do castigo
Pois é. Hoje, supostamente, teríamos um novo hike, desta vez até Idanha-a-Nova. Isso era o que toda a gente estava a contar. Mas não. Nem a pé, nem de autocarro, de forma nenhuma, não iríamos sair do Campo. Ao que parece, a dádiva de sangue do dia anterior deu para mostrar que os Caminheiros estavam “desidratados”, “exaustos” e outras coisas que tais e então acharam por bem manter-nos no “castigo” todo aquele dia. Pois claro! Então? Nós não aguentávamos 10 km de caminho até Idanha… muito menos sem cerveja a acompanhar… sim, que “em troca” do dia de descanso tiraram a cerveja do campo da IVª… que bela troca, sim senhor! Deviam ter vergonha! Isto é de bradar aos céus!!! Ora portanto, na falta de melhor, bem que tivemos de ficar sitiados. E como isto é uma democracia, paga o justo pelo pecador. Literalmente! Até a Blogosfeira, que seria realizada por terras de Idanha e que tinha sido transportada no dia anterior, por quem fosse fazer a dádiva de sangue, regressou ao Campo. Não foi Maomé à montanha, veio a montanha a Maomé – tradução: não foram os Caminheiros à Idanha para a Blogosfeira, veio a Blogosfeira para o Campo, de castigo também, certamente…
A Blogosfeira
É… foi engraçado. Todos os clãs tinham um tema para explorar e partilhar o seu ponto de vista acerca desse tema. Houve Clãs com apresentações bastante simpáticas, participadas, divertidas até. Durante 2 ou 3 horas, uma das avenidas do Campo transformou-se em “Feira” com bancas, tendas, acessórios e afins, de modo a poder partilhar com os outros o que haviam levado e preparado. Não foi mau. A iniciativa foi engraçada e permitiu o convívio e a aproximação com outros Clãs, nomeadamente os que não fazia parte da nossa Tribo ou Terra. Valeu a pena…

O “dia do castigo” acabou com o Fogo de Conselho. Preparado por Terras (que por Tribos nunca mais acabava!) teve um dos momentos altos quando entrou a Banda Plástica! Sim, havia uma Banda Plástica no Campo, claro está de um Agrupamento de Barcelos! Até o final do Acampamento, a música passou a ser entoada por todos os Caminheiros, não só pelos que faziam parte daquela Tribo. A tónica do Fogo de Conselho foi a mesma para todos as Terras. Todas elas teceram duras críticas ao que até então se tinha passado no Acampamento. O calor, a má alimentação, a água, os horários, as actividades, o álcool, os lacraus, tudo foi mencionado e tudo com um tom crítico muito forte.
Dia 6 (5 Ago, domingo) – o último dia…
Hoje calhou-nos a nós fazer a alvorada do campo. Já as outras 3 Terras o tinham feito, ontem as Adufeiras, hoje era a vez da Terra de Canaã. E assim foi. A desvantagem disto é que é preciso acordar mais cedo que todos os outros… mas enfim. Lá nos munimos de tachos e panelas, partos e canecas, apitos e tudo o que pudesse fazer barulho. A vantagem em ser o último é a da vingança! Pois… e vingámo-nos! Não houve tenda que escapasse ao barulho! Que bela alvorada a dos outros, eh, eh eh… Malandros!Depois desta belíssima e calmíssima alvorada lá nos deram um “presente de despedida”… já todas as Secções tinham ido à Barragem, excepto os Caminheiros. Pena foi que o dia reservado para irmos tivesse sido no dia em que a manhã acordou cinzenta e com uns pingos de chuva à mistura. Lá nos preparámos e lá fomos, quase obrigados e de consciência pesada por nos terem dado aquela oportunidade e nós quase a recusarmos… (pelo menos foi o que algumas pessoas deixaram transparecer…) Bem, quase uma hora de caminho depois chegámos finalmente à Barragem para dar um mergulho rápido e espairecer… Não havia muito tempo, mas pelo menos deu para ir até lá e regressar. Felizmente a manhã compôs-se, meio cinzenta mas muito quente.
Quando chegámos ao Campo tínhamos o nosso Chefe de Agrupamento à espera. Sim, porque hoje era dia de visita. Os pais da Babe I. também lá foram e aproveitámos o momento para presentear o nosso CC com uma T-shirt feita pelos Caminheiros. Puderam presenciar o ritual diário dos escuteiros correrem e colocarem-se atrás do camião cisterna, que passava nos Campos para assentar o pó, e tomar um refrescante banho. O camião cisterna era assim como uma dádiva! Nunca vi tanta gente ficar tão contente por ver um camião cisterna a aproximar-se, mas como eu disse, tudo ali se torna diferente…Depois do almoço, o banho e o uniforme. Sim, que às 18h tínhamos a Eucaristia e posteriormente o Encerramento na Senhora do Almortão. Lá fomos nós, a pé, como convém, até à Senhora do Almortão. Debaixo do calor que se fazia sentir e da inactividade, juntando talvez a alimentação racionalizada, os Exploradores e os Lobitos começaram a dar sinais de fraqueza e de cansaço. Alguns não resistam e os Médicos de Campo presentes não tinham mãos a medir (isso também se notou dentro dos Campos de cada uma das Secções).
Depois da eucaristia, lá tivemos de esperar mais umas horas até sermos chamados para jantar. Nada a que não estivéssemos já acostumados. Só perto da meia noite fomos jantar e depois regressamos ao Campo. Foi-nos pedido que nos juntássemos para um encerramento nosso, de Tribo, mas o cansaço venceu-nos. Não fomos. Acabei por adormecer uniformizada…
Dia 7 (6 Ago, 2ª feira) – o regresso a casa
Último dia, o final, mesmo. O finzinho de tudo… Desmontámos a tenda, arrumámos as nossas coisas, ajudámos a desmontar os espaços dos outros, começámos as despedidas, as ofertas do que tínhamos preparado para os outros Agrupamento, a troca de contactos, os abraços sentidos, os “até breve, mesmo!”, as despedidas fáceis, as despedidas difíceis e as outras mais difíceis ainda… A manhã resumiu-se a isto. Até ao meio-dia, hora em que vieram carregar o nosso material, foi nisto que andámos. O Agrupamento do SSSacramento esteve connosco até ao último momento. Aquele que foi o Agrupamento a que mais nos chegámos (o que não era difícil dada a proximidade).
Na entrada do Campo encontrámos os Lobitos e com eles ficámos até o momento em que o nosso autocarro chegou finalmente, quase 4 horas depois do previsto.
Ainda regressámos ao Campo da IVª. A ideia era ir buscar uma recordação mas já estava tudo desmontado. O Clã do SSSacramento estava a acabar de carregar o material para se ir embora. Foi a última despedia. E depois, a derradeira despedida foi no mural construído com as pedras de xisto de cada um dos Caminheiros presentes no Rover. A ultima foto, a última despedida ao Campo.
Chegámos ao nosso Agrupamento às 20h. Os pais esperavam-nos. O sorriso rasgados dos escuteiros dizia tudo! Não podia ter sido de outra maneira! O nosso Rover e o ACANAC deixa memórias, marcas, tanto positivas como negativas, marca a diferença, o crescimento. Foi realmente uma experiência que marcou MUITO! Muito, mesmo.
Venham os próximos!