sábado, 16 de junho de 2007

O tango e a malandragem

Dei por mim a pensar no que me fez a malandragem...

Alguns de vós de saberão que eu sou (ou melhor, fui, ou melhor ainda, gostaria de continuar a ser...) um bicho do palco. Já lá vão uns anos que não piso um palco a sério e que não faço nada a sério. Os tempos em que representava, dançava e cantava já lá vão. A oferta mais próxima que tenho hoje em dia é a dos míseros palcos que os Karaokes têm. Sim, confesso, sou Karaokiana, pouco convicta neste momento, mas lá vou passando uns serões agradáveis com os amigos à volta de um microfone e de uma televisão. Esta é um visão um bocado deprimente da coisa, que na realidade não é bem assim... aquilo chega a ser uma paródia, para nós Karaokianos!

Voltando ao tema, dei por mim a pensar no que me fez a malandragem quando um destes dias vasculhava no YouTube (site maravilha!) filmes sobre Tango - sim, tango argentino, pois claro! aquele dos canalhas, dos ciumentos, dos amores e desamores, aquele de arrebatar qualquer um que o dance, esse! - e eis que encontro um filme, ou melhor um excerto de um filme, que por acaso foi o que me ficou retido de todo o filme "The Tango Lesson". Nesse excerto, a actriz principal, Sally Potter, dança com três outros personagens, simultaneamente. O tango chega a ser uma dança muito rápida e intrincada até, e dançá-lo com três parceiros ao mesmo tempo, é obra.
Há uns anos atrás aprendi a dançar tango argentino. Era uma boa aluna, promissora, segundo os responsáveis pelas aulas. Ofereceram-me um curso intensivo com bailarinos profissionais argentinos e o ponto alto do final do curso foi um jantar dançante no mítico Café Majestic, no Porto, com direito a homens de plainitos e mulheres com vestido pretos com rachas até quase à cintura!
Depois, já não sei muito bem porquê, deixei de ir. Deu-me para a malandragem, talvez... não sei. Só sei que de repente me deu uma saudade e uma vontade doida de voltar aos "oitos", aos "boleos", às "sacadas"... fiquei com vontade de voltar aos tangos e às milongas!
Por isso, procuram-se canalhas! mas que não se dêm à malandrice como eu.

Já agora, aconselho o filme e a banda sonora!

sábado, 2 de junho de 2007

Gato malandro...

Pronto, é o divertimento... eu não tive muita sorte, talvez outro gato tenha...

Sigam as istruções e divirtam-se, malandros!


http://www.mamata.com.br/enduro/gato.html

Homenagem ao malandro

Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque


Eu fui fazer um samba em homenagem
À nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central

Bom malandro...


Ei-lo, o bom malandro em acção...

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Definição - parte 2

Malandro
Não queremos conotar os malandro e malandras deste blog como pessoas más, desordeiras, ociosas, amigas do alheio e outras coisas que tais... não! Queremos conotá-las como pessoas que levam uma boa vida, que gozam a vida (às vezes até demais), perfeitos "bon-vivant", estrelinhas que nos guiam... enfim, e que fazem umas malandrices de vez em quando. Não daquelas malandrices que afectam directamente as pessoas que os rodeiam, mas das outras, daquelas que são permitidas fazer e que apetece dizer entre um sorriso "ah, malandro...!"; daquelas que nós fazíamos quando éramos pequenos e que nos valiam uma reprimenda ou um belo estaladão que nos virava ao contrário mas que, ao fim deste tempo todo, ainda recordamos com saudade.
Não daquelas malandrices de hoje em dia, porque quem as pratica são, na maior parte das vezes vândalos, pessoas sem moral ou escrúpulos, que não sabem onde a liberdade deles acaba e a do outro começa, que não olham a meios para atingir os fins (que são, na maior parte das vezes, inúteis e estéreis!). Que destroem pelo prazer de fazer mal, só pelo prazer de fazer mal!
Mas desses, não rezarão estas histórias.
Queremos mais malandros dos bons! Mais dias de sol para mandriar! Mais brincadeira e mais malandrice da boa!
Queremos mais e melhores ideias para malandrar!
Queremos sorrir e rir e dizer bem alto:
"Ah, malandro...!"

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Este sim, é um bom malandro...


Sábado, 12 de Maio de 2007, George Michael, ídolo da adolescência de qualquer rapariga na casa dos 30 neste momento, veio a Portugal pela primeira vez e brindou os fãs com um monumental, fenomemal, espectacular e inesquecível concerto. E eu estava lá! É pá, que se lixem as 5 horas de espera para entrar para o relvado e as outras 5 horas de espera até ver o HOMEM a cantar! Que se lixem as dores nos pés e nas costas e a falta de paciência! Que se lixem os empurrões e as pessoas que não sabem as letras ou mesmo inglês! Eu estive lá! Lá à frente como qualquer fanática gostaria de estar!

Ele, o Jorginho, ele é que é um grande malandro... um "ganda maluco"... e um stage man! 2 horas a bombar com os grandes êxitos (e outros não tão grandes...). Flawless - Go to the city abriu a noite, I'm your man e Everything she wants levou ao rubro a assistência e fez saltar todo o estádio de Coimbra, Freedom fechou o concerto numa animação total; depois vieram as lágrimas... ah sim, que eu bem as vi! Careless Whisper ("Descuidados Sussurros" como alguém na fila como eu para entrar, dizia) foi o primeiro encore que, como seria de esperar, serviu para suavizar (ou não...) as despedidas daquela noite.

Ele, o Jorginho, ele é que é um grande malandro... a fazer gestos ao helicóptero que apareceu no imenso video wall por trás dele, no início do Outside...

E anda ele, o Jorginho, a ser julgado lá em terras de Sua Majestade por conduzir sob efeitos do álcool... ele é malandro de mais para isso, ó gente! É pá, ele nem deve conduzir! Deve ter motorista... mas enfim.

Havia um cartaz atrás de mim que dizia "25 years waiting for you". Eu só espero que ele não leve tanto tempo a voltar cá. É pá, não me apetece nada ir ao concerto dele com os meus netos!

Mas, Jorginho, que nos deste um grande presente, deste! Malandro ou não... os fãs adoram-te!

You lazy boy!

Ah malandro!

É... é assim que em princípio acabarão as reflexões neste blog. Ou não... logo se vê.
Malandros somos todos nós, ai não! Ás vezes por conveniencia, outras por malandrice mesmo. Malandrice no sentido do "eh pá, não me chateiem que eu hoje não mexo uma palha!"

Ah, sim, pois... o "eh pá" também vai andar por cá muitas vezes. É vício (mau, diga-se desde já) e é daqueles difíceis de largar... mas ajuda à linguagem vernácula.

Vamos ver se a malandrice toma conta do blog ou se, pelo contrário, os malandros se mexem!