terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Frase do dia

Quantos maridos tive? A contar com os meus?
Zsa Zsa Gabor
Ah malandra!

sábado, 3 de janeiro de 2009

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fase cinzenta

No último post estava numa fase negra. O facto de estarmos esgotados leva-nos tudo o que será aprazível, até os pensamentos e as emoções. Aliás, os pensamentos e as emoções! Neste momento considero que estou numa fase menos escura, estou a passar pela área cinzenta, está a tornar-se tudo mais claro, até as ideias e a confusão que ía na minha cabeça e na alma começa a organizar-se (e ainda bem, já começa a ser tempo!). Como dizia, encontro-me na fase cinzentinha, assim a fugir para o clarinho e, uma vez que se aproxima a época natalícia, posso até dizer que estou na zona cinza prateada…

Ontem, enquanto fui e vim num breve passeio, acompanhada apenas pelo mp3, dei por mim a ouvir com atenção uma música. Estranhamente, este álbum acompanhou-me em todas as minhas férias, no Caminho de Santiago e continua no mp3, mais porque ainda não resolvi mudar as músicas e variar, mas só ontem me apercebi da letra e só ontem me deu um “click”. Há múscas que nos fazem mesmo bem. Esta musicoterapia de ontem fez.

A cantora é Sara Bareilles, a música “Many the miles” do álbum Little Voice (que eu aconselho vivamente) e começa por dizer “There’s too many things that I haven’t done yet, too many sunsets I haven’t seen

É desta forma que a vida tem de ser encarada. É muito fácil dizer isto agora, difícil é manter os conselhos que damos aos outros e que tentamos dar a nós próprios. Mas já é um começo pelo menos encarar as coisas assim.

Aguardo a fase clara ansiosamente. Quero voltar ao trabalho e melhorar. Pode ser que o tópico da Sara Bareilles dê efeito.

Até lá, malandros, resta-me malandrar por mais uns dias em casa, a pastilhar e a dormir e a aguardar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

P*** de vida

Estou a minutos de fazer 35 anos. 35 anos... como alguém uma vez disse "ninguém tos dá, mas também ninguém tos tira!"
Estou a minutos de entrar na idade que marcaria o auge da minha vida, e entro nela com anti-depressivos e qualquer outra coisa que me porá a dormir. Para recuperar, diz a médica. Recuperar do stress, do trabalho, do stress que o trabalho me causa. Em casa. É triste.
Devia eu, daqui a nada, estar nos braços de alguém, feliz da vida, rodeada de crianças, mas não. Daqui a nada estarei nos braços confortáveis da minha mãe e do meu pai, porque aos 35 anos ainda são a minha companhia e quem me dá guarida. A velha história da "cama, mesa e roupa lavada" porque, infelizmente não dá para arriscar a mais do que viver, a sobreviver fora de casa.
Hoje deveria estar contente, mas não. Este estado depressivo dá cabo de mim e da minha alegria de viver (que tenho, quem me conhece sabe que sim), mas hoje, particularmente hoje, não.
Não é o fim do mundo! É só um esgotamento e são só os meus 35 anos! Porra!
Tal como a Floribela, neste momento "estou um pouco confusa". Pode ser que daqui a um ano as ideias já tenham sido ordenadas, o stress do trabalho já tenha parado e já esteja, finalmente, nos braços de alguém e rodeada de crianças.
Mas, até lá, o que me apraz dizer neste momento é, pura e simplesmente, puta de vida!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Otango / Atanga


Otango

Fui ver. Lugar na Tribuna, vista excelente para o palco e para o usufruto do magnífico espectáculo que a crítica se fartou de aplaudir! Fui ver e gostei.

Eh pá, é assim quase que impossível de se ficar indiferente ao Tango – a música, as letras das canções, as coreografias intrincadas, os bailarinos. É quase como que ter uma vontade de levantar da cadeira e dançar, e fazer todos os jogos de sedução que todo o tango impele a fazer, de malandrar nos braços de um canalha qualquer que nos conduz naquela dança maluca! Dá vontade de fazermos parte de tudo aquilo, de todo aquele ambiente de bordel e de bares de rua, de fazermos parte de uma sociedade que por muito decadente e corrupta tem sempre o “estilo” de encarar as coisas bailando.

É… eu fui ver e vim de lá, assim, como direi?, com vontade de arranjar um malandro mais malandro que eu e que me leve de volta aos bailes e às milongas… É nestas alturas que eu sinto falta dos meus tangos…

O espectáculo é digno! A começar pelos músicos em palco (um piano, um contrabaixo, um bandoneon e dois violinos), passando pelos cantores e enfim, pelos bailarinos. Qualidade! Foram arrebatadores! Muuuuuuiiiiiiiitttttttttooooooooooo bons!

É… eu fui ver e gostei.


Atanga

Ora, há sempre um verso da medalha, um mas…

A verdade é esta, sou tecnicista! Eu vou ver um espectáculo e reparo nas coisas que as outras pessoas não reparam. Chamem-lhe “defeito de profissão”. Também poderão dizer que é a Teoria do Crítico, ou seja, Crítico é todo aquele profissional frustrado que se limita a dizer mal daquilo que nunca há-de fazer (nem bem, nem mal…). Também pode ser, não me importo. Mas… há coisas num espectáculo que corre mundo há imenso tempo (não faço ideia quanto), com os melhores profissionais que alguma companhia pode ter, que enche salas, que a crítica aclama, que leva a encher o Coliseu num terça-feira à noite, que não podem acontecer. Eh pá e tudo isto a um preço que nos deixa as economias arrasadas para o resto do mês… Não é brincadeira! Aquela gente, como eu, pagou uma pipa de massa não para ver luzes a acenderem quando não deviam, a não acenderem quando deviam, técnicos de palco “em cena” quando não deviam, um cenário que de tão estupidamente simples se tornou estupidamente complicado e eu estava sempre a ver quando é que aquilo caía na cabeça dos músicos…

Feedback? Feedback num espectáculo daqueles? Mas o que é isto? Até pareciam as peças de Natal que eu fazia quando pertencia a um grupo de teatro amador! Mas eu era uma amadora! Aqueles malandros são profissionais!!! (e ao preço dos bilhetes, devem cobrar-se caro!) Mas há mais! Um intervalo de meia hora!? Meia hora??? Para quê? Se ainda me dissessem que era para ver o que se passava com os microfones eu até aceitava, mas não deve ter sido para isso, porque o feedback continuou na segunda parte… Ah!… e microfones que não eram ligados quando os cantores começavam a cantar. Ouvia-se assim o cantor lá noooo fuuuunnnnddddooooooo. É bem! Uma pipa de massa!

E o público… bem comportado, porque não houve sinal de chamada no intervalo e as pessoas começaram a sentar-se sem que as chamassem. Devem ter olhado para o relógio, coisa que a produção do espectáculo não fez, durante o intervalo… Sim, o público, esse, o mesmo que começou a abandonar cadeiras no intervalo – pudera! Devem ter pensado que o espectáculo devia ter terminado… E no fim, quando a companhia vem fazer uma primeira vénia, era ver a malta a sair em debandada! Por favor!!! Mas onde estamos!? Ah sim, mais uma, quando o pano fechou, sim o espectáculo já tinha terminado… mesmo… as luzes da sala mantiveram-se apagadas! Ora pois, a malta tem é que ficar ali a gramar o finzinho do espectáculo!

Eh pá, não me lixem! Já tenho pago menos e visto espectáculos com melhor produção! Fomos levados pelo tango e a produção deu-nos mas foi uma grande tanga e pregaram-nos com uma grande milonga, foi o que foi! Malandros, todos eles! Acho que foi a primeira vez que ouvi uma pateada no Coliseu mas de desagrado, durante o imeeeenso intervalo. É pena… leva-me a pensar se valerá a pena gastar mais dinheiro (muito dinheiro, diga-se, uma pipa de massa!!!!) para ver seja o que for…

Não me venham dizer que sou uma “tangueira” frustrada porque já não danço há anos, não me venham dizer que sou uma produtora de espectáculos frustrada, porque só o fiz em estágio e no grupo amador, não me venham dizer que sou uma técnica de som e luz frustrada, ou uma cenógrafa, ou uma qualquer-coisa-que-se-critique-porque-eu-acho-que-está-mal… até posso ser tudo isso, como não ser nada disso, mas a verdade é que para malandra basto eu! E embora eu tivesse gostado do espectáculo (que gostei!) não posso admitir que paguei a uma equipa de produção fraquinha…

Malandros e tangueiros do meu país, digo-vos, sinceramente, venham mais! Mas com mais qualidade nos pormenores, se possível…

domingo, 5 de outubro de 2008

O Tango


O tango é um pensamento triste que se pode dançar.

Enrique Santos Discépolo (1900 – 1951)

sábado, 20 de setembro de 2008

Caminho de Santiago

"O caminho faz-se caminhando", dizem. O Caminho de Santiago faz-se, também, de outra maneira...

Fui pela segunda vez fazer o Caminho de Santiago. Fiz a primeira vez há 2 anos e voltei a fazê-lo no início de Setembro. Não o fiz sozinha, não no ponto de vista de sermos mais 3 pessoas, mas fi-lo sozinha no ponto de vista do caminhar, do fazer o Caminho.

Saímos de Rubiães (Paredes de Coura) e à chegada de Tui os meus pés começavam a dar sinais de desconforto dentro das botas. As minhas botas, que me acompanham há pelo menos 8 anos, que viajaram imenso comigo, que fizeram o Caminho há 2 anos e que já contam com centenas de km em cima das caminhadas que fiz... No segundo dia, as bolhas, as dores horríveis, as primeiras lágrimas de dor insuportável, a primeira paragem. Pior do que as dores que as bolhas causam, é a dor de pensar que desiludimos os que estão connosco, é a dor do fracasso, do possível abandono. No terceiro dia chovia, e nesse dia, não sabia eu, mas estava destinado chegar ao fim, apesar de todas as dificuldades e com todas as dores e ainda a chuva.

Fiz duas etapas de chinelos de dedo. Era o único calçado, para além das botas, que tinha. Os pés não entravam nas botas, por isso os chinelos, transformados em sandálias à pressão, foram os meus companheiros de caminho durante quase 60 km em 2 dias. Dei por mim a pensar no ridículo da situação: enquanto os outros tentavam manter os pés secos, eu tentava mantê-los molhados. Enquanto eles se afastavam das poças de água, eu entrava nelas e lavava os pés nas goteiras das casas. Tinha que manter os pés molhados nos chinelos, primeiro para tirar as areias que ficavam nos pés, depois para evitar as queimaduras que os chinelos poderiam fazer. Mas tudo em vão.

Nesta altura, as bolhas infectaram e os chinelos feriram-me os dedos. Embora cobertos com adesivo, a chuva e o caminho irregular acabaram por mover os adesivos e o inevitável aconteceu. Os pés já não podiam calçar os chinelos. E incharam devido ao esforço exercido sobre os dedos. E os músculos cederam porque o apoio não foi bem feito.

Penei. Penei ainda mais porque o meu ritmo não era igual aos dos outros, bem pelo contrário, era muito mais lento. Penei porque fiz o Caminho sozinha, porque psicologicamente não estava bem, porque as dores me afastavam todos os bons pensamentos que poderia ter, porque não usufruí do Caminho como deveria, porque a minha mente estava ali presa na dor e não a pensar em coisas bem mais importantes e com os olhos desviados de coisas bem mais bonitas do que os meus pés inchados e feridos. Penei muito quando os que estavam comigo não tinham, ou não queriam ter, a percepção do quanto eu não estava bem, da falta de cuidado que senti da parte deles, cuidado esse manifestado pelos grupos de peregrinos que íamos encontrando pelo Caminho e com quem partilhávamos os Albergues. Todos os dias eu achava que não ia conseguir. A 6 km de Santiago de Compostela, em Milladoiro, achei mesmo que não saía dali. A única maneira que tinha de caminhar era a arrastar os pés, uma vez que os músculos das pernas estavam presos.

Cheguei a Santiago de Compostela e na Praça do Obradoiro, mesmo em frente à Catedral, as minhas dores passaram. Foi a melhor sensação que tive em dias. Subi as escadas da Catedral como quem chega de carro para a visitar. Naquele momento só agradeci pelo facto de alguém me ter ensinado e me ter dado a força necessária para seguir em frente, apesar das adversidades. Foi uma dura prova, mas provei, senão a alguém, pelo menos a mim mesma, que quando somos obstinados, conseguimos.

Passadas duas semanas ainda tenho marcas profundas do Caminho. As memórias dolorosas, as feridas e as sequelas do esforço nos pés, a consciência tranquila de ter conseguido chegar a Santiago.

Da próxima vez, será melhor.

P.S. – Malandros, o Caminho de Santiago é uma experiência única, pessoal, inexplicável. Aconselho a todos, quer se vá em passeio, quer se vá à procura de respostas, à procura de alguma tranquilidade e de tempo para ordenar as ideias, que tantas vezes nos falta aqui ou é perturbado pelo corre-corre do quotidiano. Façam-no.