sábado, 20 de setembro de 2008

Caminho de Santiago

"O caminho faz-se caminhando", dizem. O Caminho de Santiago faz-se, também, de outra maneira...

Fui pela segunda vez fazer o Caminho de Santiago. Fiz a primeira vez há 2 anos e voltei a fazê-lo no início de Setembro. Não o fiz sozinha, não no ponto de vista de sermos mais 3 pessoas, mas fi-lo sozinha no ponto de vista do caminhar, do fazer o Caminho.

Saímos de Rubiães (Paredes de Coura) e à chegada de Tui os meus pés começavam a dar sinais de desconforto dentro das botas. As minhas botas, que me acompanham há pelo menos 8 anos, que viajaram imenso comigo, que fizeram o Caminho há 2 anos e que já contam com centenas de km em cima das caminhadas que fiz... No segundo dia, as bolhas, as dores horríveis, as primeiras lágrimas de dor insuportável, a primeira paragem. Pior do que as dores que as bolhas causam, é a dor de pensar que desiludimos os que estão connosco, é a dor do fracasso, do possível abandono. No terceiro dia chovia, e nesse dia, não sabia eu, mas estava destinado chegar ao fim, apesar de todas as dificuldades e com todas as dores e ainda a chuva.

Fiz duas etapas de chinelos de dedo. Era o único calçado, para além das botas, que tinha. Os pés não entravam nas botas, por isso os chinelos, transformados em sandálias à pressão, foram os meus companheiros de caminho durante quase 60 km em 2 dias. Dei por mim a pensar no ridículo da situação: enquanto os outros tentavam manter os pés secos, eu tentava mantê-los molhados. Enquanto eles se afastavam das poças de água, eu entrava nelas e lavava os pés nas goteiras das casas. Tinha que manter os pés molhados nos chinelos, primeiro para tirar as areias que ficavam nos pés, depois para evitar as queimaduras que os chinelos poderiam fazer. Mas tudo em vão.

Nesta altura, as bolhas infectaram e os chinelos feriram-me os dedos. Embora cobertos com adesivo, a chuva e o caminho irregular acabaram por mover os adesivos e o inevitável aconteceu. Os pés já não podiam calçar os chinelos. E incharam devido ao esforço exercido sobre os dedos. E os músculos cederam porque o apoio não foi bem feito.

Penei. Penei ainda mais porque o meu ritmo não era igual aos dos outros, bem pelo contrário, era muito mais lento. Penei porque fiz o Caminho sozinha, porque psicologicamente não estava bem, porque as dores me afastavam todos os bons pensamentos que poderia ter, porque não usufruí do Caminho como deveria, porque a minha mente estava ali presa na dor e não a pensar em coisas bem mais importantes e com os olhos desviados de coisas bem mais bonitas do que os meus pés inchados e feridos. Penei muito quando os que estavam comigo não tinham, ou não queriam ter, a percepção do quanto eu não estava bem, da falta de cuidado que senti da parte deles, cuidado esse manifestado pelos grupos de peregrinos que íamos encontrando pelo Caminho e com quem partilhávamos os Albergues. Todos os dias eu achava que não ia conseguir. A 6 km de Santiago de Compostela, em Milladoiro, achei mesmo que não saía dali. A única maneira que tinha de caminhar era a arrastar os pés, uma vez que os músculos das pernas estavam presos.

Cheguei a Santiago de Compostela e na Praça do Obradoiro, mesmo em frente à Catedral, as minhas dores passaram. Foi a melhor sensação que tive em dias. Subi as escadas da Catedral como quem chega de carro para a visitar. Naquele momento só agradeci pelo facto de alguém me ter ensinado e me ter dado a força necessária para seguir em frente, apesar das adversidades. Foi uma dura prova, mas provei, senão a alguém, pelo menos a mim mesma, que quando somos obstinados, conseguimos.

Passadas duas semanas ainda tenho marcas profundas do Caminho. As memórias dolorosas, as feridas e as sequelas do esforço nos pés, a consciência tranquila de ter conseguido chegar a Santiago.

Da próxima vez, será melhor.

P.S. – Malandros, o Caminho de Santiago é uma experiência única, pessoal, inexplicável. Aconselho a todos, quer se vá em passeio, quer se vá à procura de respostas, à procura de alguma tranquilidade e de tempo para ordenar as ideias, que tantas vezes nos falta aqui ou é perturbado pelo corre-corre do quotidiano. Façam-no.

sábado, 30 de agosto de 2008

Campus Stellae


Campus Stellae, aqui vou eu!
ULTREIA ET SUSEIA!

Expo'08


EU FUI!

Não se compara à nossa Expo'98 (mas eu sou suspeita ao falar na Expo'98 porque eu ESTIVE lá) mas, ainda assim, valeu a pena. Não houve tempo para malandrar já que para se conseguir ver alguma coisa era preciso andar da perna. E o que nós andamos! Como em tudo, houve algumas desilusões, daquelas que nos põem a pensar: "Eh pá! estive eu na fila durante horas para ver ISTO!?"; também houve daqueles países que "UAU!!!" e outros em que dava para realmente pensar na diferença entre as riquezas (a todos os níveis) dos países representados.

Assim, no global, gostei. Era tudo muito azul... Não achei piada nenhuma ao Iceberg (assim a modos que uma representação tipo Aqua Matrix mas ao contrário). Se tivesse de atribuir uma cor àquilo seria cinzento e como era de noite, seria um cinza muito escuro!

Por isso, malandros e malandras deste país à beira mar plantado, peguem lá no transporte mais acessível e vão até terras de "nuestros hermanos". Vale a pena a viagem. E tragam carimbos no passaporte! Muitos!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Bloguemos!


Ah, malandros… tenho andado com falta de veia criativa, ou melhor dizendo, tenho andado com excesso de vontade de mandriar e de “malandrar”… senão vejamos: antes das férias “ai porque estou cansada, a precisar de descanso e tal, e porque não tenho assunto, e depois porque não sei se me apetece…”; depois, nas férias (ou pelo menos na primeira parte delas) “ai porque estou de férias e nem tenho o PC e porque quero é dormir o mais que puder e tal, e porque agora não tou em casa e porque não tenho assunto, e depois porque não sei se me apetece…”; depois das férias “ai porque agora vim de férias e passada uma semana já estava a precisar de férias outra vez, e porque agora tenho de pensar no trabalho que tenho e tal, e porque agora é que não tenho mesmo assunto e não tenho tempo nem paciência para pensar nisso porque não sei se me apetece…”. Resumindo, quando dá a malandrice, dá e pronto! Porque ele há sempre qualquer coisa que escrever, nem que seja sobre o facto de não escrevermos rigorasamente nada! Mas a malandrice é uma coisa muito bonita, não é…? É pois! E quando dá, dá a sério! E depois atiramos a desculpa de não termos veia criativa, nem tempo, nem PC à mão e o catano! a ver se nos safamos…


Por isso, malandros e malandras do meu país (eu inclusive) “bloguemos”.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Malandragem, a quanto (não) obrigas...


Ai, a malandragem... que remédio, teve de ficar na prateleira no passado fim-de-semana. É que o chamamento foi mais alto do que a vontade de mandriar.
Sábado à noite foi uma nocturna, isto é, uma caminhada à noite, claro! Foi em Santo Tirso. Começámos às 21h05, marcadas no relógio dos Paços do Concelho e lá fomos nós, algumas dezenas de caminheiros, monte acima, mato adentro e monte abaixo. Dizem eles que passámos pela Quelha da Pessega, Lomba, Abelha, S. Miguel, Capela de Sto António, Monte Padrão, Monte Córdova de Baixo, Igreja de Sta Cristina do Couto e de volta à Câmara Municipal, de onde tínhamos partido. A contagem, por alto, foi de 20 km. O tempo percorrido foi de 5 h certas, isto porque chegámos à Câmara e o relógio marcava as 2h05. Pontaria!
Como se isto não bastasse, domingo rumei à Serra de Valongo, desta vez com os meus Caminheiros, para um dia de escalada, rappel e slide. Consegui um momento de malandrice à hora do almoço, recostada a uma pedra, a descansar os pés e o corpo. Foi este o momento de malandrice do fim-de-semana... o único.
Portanto, malandros e malandras deste país, perdoem-me a falta de ócio! Mas teve MESMO de ser... prometo voltar à malandrice em breve.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Expo'98 - 10 anos depois



22 Maio 1998 – 22 Maio 2008

Pois é, faz hoje 10 anos que abriram as portas, pela primeira vez, da Expo’98. Grandioso evento e grandiosa festa promovida por Portugal. Ninguém acreditava que fosse possível realizar semelhante exposição, ninguém acreditava que fosse possível recuperar uma parte degradada da cidade, ninguém acreditava que se conseguissem cumprir os prazos ou até mesmo que fosse o sucesso que foi. Recordo as imagens que vi na televisão do primeiro dia, mas gravadas na mente, pela presença, estão as do último dia na Expo.

Neste pequeno país acolhemos todas (ou quase todas) as nações do Mundo num convívio sem igual e, para além disso, mantêm-se as memórias e os lugares. Ao contrário do que se havia passado em Sevilha, a zona cresceu e modificou-se, a cidade evoluiu e cresceu mas manteve viva e permanente a memória da Expo. Ficou, para além do mais, o marco para os incrédulos. Aqui foi a Expo e sim, foi um sucesso!

Recordei hoje o jingle da Expo. E já lá vão 10 anos…

Ah, malandros, que saudades…

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Liberdade!


Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos.
Foi o tempo que doía com seus riscos e seus danos.
Foi a noite e foi o dia na esperança de um só dia.


Manuel Alegre